Na sua prédica de hoje, o impagável comentador desfez-se em elogios à exibição de Manuela Ferreira Leite no Parlamento, a semana passada, na qual, poupando qualquer réstia de decência, e à boleia da especulação jornalística, desferiu um inqualificável ataque ao Primeiro-Ministro. Mas quando Maria Flor Pedroso lhe perguntou se estava, então, de acordo com o conteúdo da intervenção, aí, o afamado arlequim, lá moderou o entusiasmo, acabando por reconhecer que o pedido de explicações da Dra. Manuela fora muito além daquilo que, dadas as circunstâncias, José Sócrates podia e devia esclarecer. Ou seja, nota artística: 10; nota técnica: nem por isso.
A decisão, tomada pelo Serious Fraud Office - espécie de gabinete de combate à corrupção 'da grossa' -, de arquivar o processo Freeport escassos dois anos depois de terem iniciado as investigações, e para mais alegando «falta de elementos suficientes para poderem constituir arguidos em Inglaterra e avançar com uma acusação», parece-me, para dizer o mínimo, precipitada. Basta ver que, por cá, cinco anos volvidos, as autoridades portuguesas ainda não se conseguiram decidir sobre qual dos primos de José Sócrates está metido ao barulho. Na certeza, porém, de que algum há-de estar.
«Fernanda Câncio já é 'namorada' do primeiro-ministro»
(Sol)
Em rigoroso exclusivo para os nossos leitores, publicamos a transcrição das escutas telefónicas que ligam José Sócrates a Armando Vara, Armando Vara ao empresário Godinho e, por fim, o empresário Godinho ao negócio da TVI:
«Ora, quem transmite a parte pode transmitir o todo. Por exemplo, quem transmite que Sócrates falou da TVI com Vara pode transmitir exactamente o que foi dito e a data, de modo a acabar com as suspeitas ou a dar-lhes matéria factual. Não o fazendo, tanto pode estar a fatiar o fiambre como a prometer um presunto que não existe. Seja como for, está a inquinar a política ao mais alto nível, assim como a denegrir a honorabilidade dos envolvidos. »
«Portugal à espera dos portugueses»
À entrada para uma reunião com os novos responsáveis políticos pelo Ministério da Educação, o incansável prof. Nogueira afirmou que «o jogo a sério começa hoje».
Intencionalmente, ou não, esta declaração do líder da FENPROF ilustra com especial nitidez a forma como, pelo lado dos sindicatos, têm sido encaradas as negociações sobre os polémicos dossiers que se encontram em cima da mesa: como se de um jogo se tratasse.
Mas não de um jogo qualquer. Para o prof. Nogueira, este é um jogo de soma nula, no qual a sua vitória absoluta deverá, obrigatoriamente, corresponder a uma derrota em toda a linha da contraparte. Um jogo típico de processos negociais onde a predisposição para a cooperação é, também ela, nula.
Depois de terminado o ciclo eleitoral, já assistimos à substituição de José Manuel Fernandes na direcção do Público, à saída de Armando Vara da vice-presidência do BCP e, agora, de Paulo Bento do comando técnico da equipa do Sporting. E contrariando todas as expectativas a Dra. Manuela lá se vai aguentando...
Apesar das notícias contraditórias desta manhã - sai, não sai -, José Penedos parece estar RENitente em abandonar a presidência da REN.
«Que comece, desde já, um novo processo negocial, para que em trinta dias se consiga fazer um novo método de avaliação». Vá, de que é que estão à espera?!
Não me surpreenderia se viéssemos a descobrir ter sido uma empresa do empresário Godinho a responsável pela remoção do entulho.
Dito assim, impressiona qualquer um. De resto, é preciso recuar a 1985, ao Governo minoritário de Cavaco, para encontrar um Programa de Governo rejeitado por tão expressiva minoria absoluta: 70,13%. Mais de 4 milhões de votos contra. Ora, todos sabemos o que aconteceu passados dois anos, e essa é, verdadeiramente, a angústia de tanta gente...
November Rain - Guns N' Roses (1992)
(E você, já pediu ao Marcelo para avançar?)
Imagino que o pior pesadelo que povoa os curtos sonos de Marcelo Rebelo de Sousa será o de imaginar-se acorrentado à liderança do PSD num momento em que futuro político-económico a curto e médio prazo se encontra pontuado por todo o tipo de interrogações.
Que atitude esperar do novo governo minoritário? Qual a estratégia das diferentes oposições? Como vai evoluir a situação económica a nível mundial? Que efeitos essa evolução produzirá no nosso país? Qual a capacidade de recuperação de Cavaco no ano e pouco que nos separa das eleições presidenciais?
Nestas circunstâncias, a 'iniciativa para o consenso', lançada e prontamente enterrada pelo próprio Marcelo, não passou de mais uma habilidade do Professor, que assim pensava poder virar costas ao PSD, num momento particularmente difícil, fazendo recair o ónus da sua decisão sobre os «barões» social-democratas.
A avaliar pela vaga de fundo que se iniciou, espontaneamente, por volta das nove da noite da passada quinta-feira, na RTP, os seus companheiros terão decidido devolver-lhe a brincadeira.
«Toda a gente sabe que em Portugal o melhor líder de oposição que alguma vez existiu foi o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, fossem os governos do PS, fossem os governos do PSD»
Paulo Rangel, na Grande Entrevista da RTP
Em S. Bento: um governo com apoio parlamentar minoritário. A perda de votos e mandatos do PS não pode, porém, deixar de significar também uma transferência de responsabilidades para os restantes partidos com assento parlamentar. Tempos difíceis para a demagogia irresponsável e inconsequente da oposição.
Em Belém: um Presidente que, muito embora em nada diminuído nos seus poderes constitucionais, tem os seus actos e intervenções públicas sujeitos a um rigoroso escrutínio político. A Cavaco não bastará agora parecer isento, é preciso que o seja. Tempos difíceis para uma retórica de ambiguidades.
Por aí, por esse mundo fora: sinais - por ora ténues, é certo - de que a retoma pode ter começado. Os efeitos da recuperação da economia mundial, quando surgirem - e surgirão, inevitavelmente - não deixarão de se fazer sentir, também, em Portugal. Qualquer Primeiro-ministro se arrisca, por estes dias, a ficar com seu nome associado ao desenvolvimento e progresso do país. Tempos difíceis para a cultura miserabilista.
Por tudo isto, olho em frente e vejo um governo Sócrates para oito anos. Vá lá, seis.
José Junqueiro, «destacada personalidade do partido do Governo», será doravante uma destacada personalidade do propriamente dito Governo.
«Saí porque me fizeram a vida negra. Tenho a consciência que se tivesse ficado [na liderança do PSD] porventura o PSD hoje estava a formar governo»
(Lusa)
«Pela minha parte, mantive escrupulosamente e com o maior rigor o compromisso de total isenção e imparcialidade em face dos diversos partidos.»
«Tenho mantido, ao longo do meu mandato, uma rigorosa imparcialidade perante as diversas forças políticas.»
Verdadeiramente impressionante a enxurrada de análises, contra-análises e psicanálises que se abateu sobre o espaço informativo no minuto seguinte a serem conhecidos os nomes escolhidos por José Sócrates para o XVIII Governo Constitucional. Para mais tratando-se de uma meia dúzia, bem medida, de ilustres desconhecidos e outros tantos velhos conhecidos. Mas que tanto pode haver para dizer sobre aqueles e que tanto ainda haverá por dizer sobre estes?
No Conselho Nacional desta noite o PSD irá analisar o recente 'ciclo eleitoral', no que parece ser uma desesperada tentativa de fazer valer a teoria do 'cômputo geral' - duas vitórias e uma derrota -, de resto logo ensaiada na noite do desaire das legislativas.
Parafraseando Durão Barroso, já toda a gente sabe que Manuela Ferreira Leite será apeada, só não se sabe é quando.
Há dias, alguém veio dar a este blogue interessado em saber a data de nascimento e o signo de Avelino Ferreira Torres, possivelmente, para fazer a carta astral do ex-autarca do Marco, muito embora não seja preciso ter asas e chamar-me Maia para perceber que o bom do Avelino não anda em maré de sorte...
Mas porque um blogue também é serviço público pusemo-nos em campo para tentar obter as informações pretendidas, tendo, surpreendentemente - ou talvez não, tratando-se de Avelino - encontrado duas respostas possíveis. Uma primeira, na Wikipédia, que nos diz ter nascido em 1957. Outra, numa reportagem do Público datada de 2005, em que é indicado o ano da graça de 1945 para o seu nascimento. Assim, give or take a few, Avelino Ferreira Torres é rapaz para ter, aproximadamente, entre 52 e 64 anos de idade.
Já quanto ao signo, em nenhuma das fontes consultadas é indicado o dia e o mês do nascimento. Se bem que, a acreditar em algumas decisões judiciais recentes, atrevo-me a arriscar que não seja Virgem. Às vezes chega mesmo a parecer um Touro enraivecido.
Esta noite, na SIC, os 'Gato Fedorento' esmiúçam Marcelo Rebelo de Sousa, o impagável comentador. O verdadeiro.
«Vamos ter Tratado de Lisboa, só não sei é quando»
A frase foi hoje proferida por Durão Barroso e faz lembrar uma outra do mesmo autor, depois de ter perdido as legislativas de 1999 para António Guterres. Disse então Durão: «Tenho a certeza que serei primeiro-ministro, só não sei é quando». E se é verdade que venceu as legislativas bem mais cedo do que então se previa (2002), não é menos verdade que ainda hoje o PSD se procura por entre os destroços da fugaz liderança de Durão.
No 'play-off' de apuramento para a fase final do Mundial da África do Sul calhou em sorte (?) à equipa das quinas defrontar a selecção da Bósnia-Herzegovina. Uma selecção, recorde-se, que na fase de grupos deu 4-2 à Bélgica, 4-1 à Estónia e 7-0 à Arménia (!!). Uma selecção que, evidentemente, joga à Benfica...
«Flagrante de litro»