Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Uma girafa numa loja de porcelana

Em nota publicada na página oficial da presidência da república, Sua Excelência anuncia para as oito da noite uma «declaração à comunicação social».

Não sendo de descartar uma intervenção sobre os resultados eleitorais de domingo, com o objectivo tomar as rédeas da condução política do processo de formação do novo governo, aposto, ainda assim, numa tentativa de arquivar o caso das escutas/vigilância.

Com Cavaco, sabemo-lo, nada é deixado ao acaso. Uma declaração à comunicação social não é a mesma coisa que uma comunicação ao país, formulação utilizada em Agosto de 2008, por ocasião da 'questão dos Açores'. Não estamos, pois, perante uma liberdade literária da assessoria de imprensa. E se o anúncio de uma comunicação ao país representa, na escala de Belém, um nível de 'alerta vermelho', a declaração à comunicação social não vai além de um 'alerta amarelo'. Donde, uma primeira conclusão é a de que Sua Excelência pretende, a começar pela forma, aligeirar o impacto da sua declaração.

De igual modo, o (julgo) inovador modelo escolhido fará ainda mais sentido se no final houver lugar a perguntas dos jornalistas. Nas respostas, Sua Excelência poderá abordar pormenores laterais à questão de fundo sem que a eles se tenha de referir na intervenção inicial, assim recusando-lhes relevância.

Dito isto, confesso-me curioso sobre a narrativa de Sua Excelência e a possibilidade de esta acolher, beyond reasonable doubt e com total coerência argumentativa, todos os factos que por ora são do conhecimento público.

Balançando entre subscrever a tese da 'inventona' ou a da gaiatice, tenho para mim como certo que o misto de incredulidade e cepticismo com que foi recebida a primeira notícia, divulgada a 18 de Agosto, obrigou a que, numa tentativa de salvar a história e as faces, fosse repescada da gaveta onde se encontrava há quinze meses a matéria sobre o indelicado e, porque indelicado, suspeito assessor do primeiro-ministro. Mas o que nasce torto tarde ou nunca se endireita, e no dia em que é tornada pública a 'pista madeirense' o cepticismo dá lugar ao ridículo e à galhofa generalizada.

Daqui em diante, os argumentistas perdem o controle do guião, e foi o que se viu e o que mais se verá. Sem o talento criativo de José Eduardo Moniz, os novos episódios passam a ser escritos em cima do joelho, em resposta às reacções do público ao episódio da véspera.

 

Continua aqui

por SF às 03:51
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