Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Faz-se luz pelo processo de eliminação de sombras*

Ao contrário daquela que parece ser a opinião dominante, senão unânime, não vejo nos episódios de ontem, necessariamente, um prejuízo grave para o país. É verdade que as declarações de Cavaco Silva e do PS foram invulgarmente duras. Mas, justamente por terem sido duras, foram também clarificadoras.

A tensão surda que até ontem era indirectamente alimentada por terceiros, pontuada por cinismos, ironias, indirectas e remoques dissimulados deixou de ter pasto para crescer.

Os protagonistas directos saíram de trás das suas fontes e assumiram-se, na primeira pessoa, ficando claro ao que vêm. As palavras e atitudes de ambos podem, doravante, ser objectivamente escrutinadas pelos portugueses, enquadradas no seu verdadeiro contexto.

Dir-se-à que aquilo de que o país, neste momento, menos precisava era de uma situação de incompatibilidade política (no pressuposto que a compatibilidade institucional, mais do que possível, é obrigatória) entre os dois principais órgãos de soberania. Assim é.

Contudo, se a ruptura política é uma realidade incontornável, e ao que parece inultrapassável, seria bem pior que permanecesse escondida na sombra à mercê de interpretações supostamente graciosas.

A verdade é que, ao longo destes últimos meses, o sistemático recurso às 'Fontes' revelou-se tão pernicioso para o sistema político-constitucional quanto os offshores, quando utilizados com objectivos menos claros, se revelaram prejudiciais para a saúde do sistema económico-financeiro. Uns e outros permitiram - e permitem - a ocultação da origem de fluxos, financeiros, estes, de informação, aqueles, objectivamente servindo as mais variadas e grosseiras manipulações.

Ontem, fez-se luz e os portugueses podem agora fazer os seus juízos com maior clareza.

*Mário Cesariny de Vasconcelos - Pena capital

por SF às 15:30
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O direito à interrogação

«Mas onde está o crime de alguém, a título pessoal, se interrogar sobre a razão das declarações políticas de outrem?»

Depois de, no princípio da década de 90, Mário Soares ter instituído O direito à indignação, Cavaco Silva decretou ontem O direito à interrogação.

por SF às 11:52
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«CC esmiúça declaração de Cavaco»

Aqui

por SF às 11:25
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Construiu uma marquise na varanda do palácio?

«Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.»

por SF às 03:15
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Sobe & Desce

A subir

 

 

José Junqueiro

«Destacada personalidade do partido do Governo». A subir. 

  


A descer

 

Rui Paulo Figueiredo

«Não conheço o assessor do Primeiro-Ministro nele [e-mail] referido». A descer.

 

 

por SF às 03:06
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Não se pode pedir a um homem de 70 anos que mude a sua maneira de ser

«apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias.» Cavaco é como é, e continuará a ser: intrinsecamente isento.

por SF às 02:25
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Mas onde está o crime de alguém ler o site do PSD?

(aqui)

por SF às 00:18
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Genial!

Simplesmente genial, de resto, comme d'habitude:

«Uma declaração gonza», por JCS - Lóbi do Chá

por SF às 21:24
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Hoje

«Foi para esclarecer esta questão que hoje [Hoje? Hoje?! Hoje, dia 29? Quer dizer agorinha mesmo, antes de vir para aqui?] precisamente hoje ouvi várias entidades com responsabilidades na área da segurança.»

por SF às 21:15
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Ou talvez não...

«O Presidente da República tem certamente coisas graves para dizer ao país e entendeu que se as dissesse interferia no acto eleitoral.»

Pacheco Pereira - 22 Setembro

por SF às 20:34
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E finalmente Cavaco falou e disse

Eu? Eu nunca falei em escutas nem em vigilâncias, nunca! Mas já que falam nisso...

(voltaremos ao tema)

por SF às 20:25
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Uma girafa numa loja de porcelana II

Os quarenta longos dias que passaram desde a notícia do Público sobre a suspeita de vigilância a membros da Casa Civil do Presidente da República, por entre declarações de sinal contraditório, silêncios enigmáticos, demissões - ou afastamentos - ao retardador, revelaram-nos o velho Aníbal Cavaco Silva que alguns pareciam já ter esquecido. Um político que apenas está confortável quando domina o jogo, quando é ele que dá as cartas.

Se os acontecimentos, por qualquer razão, fogem do seu controlo, é o desastre. A autoridade cede à insegurança e a tibieza toma o lugar da determinação.

Desde o dia 18 de Agosto, o comportamento de Cavaco Silva tem sido pouco diferente do de uma girafa numa loja de porcelana. Cavaco Silva perdeu o pé e é senti-lo a esbracejar, tentando por tudo manter-se à tona da água. Por detrás da sua pose seráfica, com que pretende criar a ilusão de que é ele, ainda, o dono jogo, está um homem profundamente desorientado e, imagino, angustiado.

Num momento particularmente feliz, quando, no P&C de ontem, convidado por Fátima Campos Ferreira a avançar com uma hipótese para o teor da comunicação desta noite, Carlos Abreu Amorim respondeu de forma lapidar: «nem o Senhor Presidente sabe o que vai dizer».

Há mais de um mês que Cavaco Silva caminha, por sua única e exclusiva responsabilidade, para um beco sem saída. Hoje, é um homem encurralado e não sabe como há-de sair desta.

Esta noite, ou quando decidir falar sobre a polémica, Cavaco não tem mais a que se agarrar do que à ideia da Suspeita. De resto, em linha com a argumentação de José Manuel Fernandes.

Dirá Cavaco que, tratando-se do órgão máximo de soberania da nossa República, não pode qualquer Suspeita, por mais leve e inverosímil que pareça, ser tratada com displicência. Seria uma irresponsabilidade. Dirá Cavaco que a saúde da nossa democracia e a solidez do nosso regime não são compatíveis com a existência de dúvidas, situações mal esclarecidas, Suspeitas. Dirá Cavaco que não pode permitir, ainda que por omissão, que se instale o vírus da suspeição, e correr o risco de vê-lo corroer o normal funcionamento das instituições democráticas. Concluirá Cavaco dizendo não ter sido esse o compromisso que assumiu com os portugueses, não ser essa a atitude que os portugueses dele esperam. Suspeito, logo averiguo, dirá Cavaco. Isto ou outra merda qualquer. A ouvir vamos.

por SF às 18:18
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Uma girafa numa loja de porcelana

Em nota publicada na página oficial da presidência da república, Sua Excelência anuncia para as oito da noite uma «declaração à comunicação social».

Não sendo de descartar uma intervenção sobre os resultados eleitorais de domingo, com o objectivo tomar as rédeas da condução política do processo de formação do novo governo, aposto, ainda assim, numa tentativa de arquivar o caso das escutas/vigilância.

Com Cavaco, sabemo-lo, nada é deixado ao acaso. Uma declaração à comunicação social não é a mesma coisa que uma comunicação ao país, formulação utilizada em Agosto de 2008, por ocasião da 'questão dos Açores'. Não estamos, pois, perante uma liberdade literária da assessoria de imprensa. E se o anúncio de uma comunicação ao país representa, na escala de Belém, um nível de 'alerta vermelho', a declaração à comunicação social não vai além de um 'alerta amarelo'. Donde, uma primeira conclusão é a de que Sua Excelência pretende, a começar pela forma, aligeirar o impacto da sua declaração.

De igual modo, o (julgo) inovador modelo escolhido fará ainda mais sentido se no final houver lugar a perguntas dos jornalistas. Nas respostas, Sua Excelência poderá abordar pormenores laterais à questão de fundo sem que a eles se tenha de referir na intervenção inicial, assim recusando-lhes relevância.

Dito isto, confesso-me curioso sobre a narrativa de Sua Excelência e a possibilidade de esta acolher, beyond reasonable doubt e com total coerência argumentativa, todos os factos que por ora são do conhecimento público.

Balançando entre subscrever a tese da 'inventona' ou a da gaiatice, tenho para mim como certo que o misto de incredulidade e cepticismo com que foi recebida a primeira notícia, divulgada a 18 de Agosto, obrigou a que, numa tentativa de salvar a história e as faces, fosse repescada da gaveta onde se encontrava há quinze meses a matéria sobre o indelicado e, porque indelicado, suspeito assessor do primeiro-ministro. Mas o que nasce torto tarde ou nunca se endireita, e no dia em que é tornada pública a 'pista madeirense' o cepticismo dá lugar ao ridículo e à galhofa generalizada.

Daqui em diante, os argumentistas perdem o controle do guião, e foi o que se viu e o que mais se verá. Sem o talento criativo de José Eduardo Moniz, os novos episódios passam a ser escritos em cima do joelho, em resposta às reacções do público ao episódio da véspera.

 

Continua aqui

por SF às 03:51
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«Moniz de novo ligado à TVI com compra pela Ongoing»*

*Notícia DN

por SF às 01:44
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Uma extraordinária derrota

CDS, BE e PCP - e PSD, ainda que mais envergonhado, pela voz de Maria José Nogueira Pinto - não se cansaram de cantar vitória nas eleições de domingo. Todos tiveram mais votos e o consequente crescimento dos respectivos grupos parlamentares. Do outro lado, o PS foi a única força política que perdeu votos, deputados e viu fugir-lhe a maioria absoluta (foi mesmo o único partido que perdeu a maioria absoluta, sublinho).

Rendido a esta irrefutável argumentação, é com humildade democrática que me resigno à extraordinária derrota do PS, fazendo votos de muitos mais e idênticos sucessos eleitorais a toda a oposição.

por SF às 01:26
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

A maioria absoluta morreu, viva a maioria absoluta!

Não deixa de ser curioso que, depois de semanas, meses a verberarem as maiorias absolutas, e a do PS  em particular,  alguns politólogos e analistas tenham passado parte da noite a discorrer sobre as diferentes possibilidades do PS formar um governo de maioria absoluta em face dos resultados desta noite.

por SF às 03:51
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Asfixia informática (?)

Aqui

por SF às 03:24
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Graçolas de oportunidade*

Alguém me sabe dizer que horas são?

*™

por SF às 02:52
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7328

É o número de votos que Pedro Santana Lopes (2005) conseguiu a mais  do que Manuela Ferreira Leite (2009).

 

Adenda:

Ao contrário do que se diz aqui

por SF às 02:25
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Porque às vezes parece que é mesmo preciso fazer um desenho...

por SF às 01:53
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O jornal de amanhã

Não me sendo difícil de imaginar a dificuldade de José Manuel Fernandes em decidir a primeira página de amanhã deixo aqui ficar algumas sugestões:

«Belém suspeita da fiabilidade dos resultados eleitorais»

 

«Manuela Ferreira Leite conduz PSD à 10ª maior vitória de sempre»

 

«Degelo na Antárctida e Gronelândia preocupa cientistas»

por SF às 01:44
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

A esta hora...

Suspeita-se que o PS pode ter vencido as eleições legislativas.

por SF às 20:07
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