Domingo, 31 de Janeiro de 2010

A verdade é que há sempre uma primeira vez...

Quando,  no início do ano passado, várias personalidades nacionais, entre elas alguns conselheiros de Estado, se pronunciaram sobre a pertinência de reunir o órgão de aconselhamento político do Presidente da República, para que se pudesse discutir a grave situação económica e financeira internacional e os seus reflexos em Portugal,  a recusa de Sua Excelência em fazê-lo foi por alguns interpretada como evidência de um certo mal-estar presidencial ante a hipótese de uma photo oppurtunity com o seu velho amigo Dias Loureiro.

Rapidamente Sua Excelência tratou de afastar esta pérfida leitura, fazendo publicar um detalhado relatório estatístico com o qual pretendeu demonstrar que a sua prática de convocação de reuniões do Conselho de Estado prosseguia em linha com a dos seu antecessores, quer no que respeita a quantidade de reuniões, quer quanto à agenda das mesmas. Terminava, Sua Excelência, a nota informativa com as seguintes conclusões:

 

«6 – De acordo com os registos disponíveis, nunca, nos últimos 23 anos, o Conselho de Estado se reuniu para discutir políticas sectoriais, como a economia, a educação, a saúde, a justiça ou outras. 
 7 – Pode concluir-se, assim, que o Conselho de Estado, enquanto órgão consultivo do Presidente da República, tem sido por este convocado sempre que a Constituição, nos termos do artigo 145º, assim o exige (ex: dissolução da Assembleia da República ou das assembleias regionais), ou em estrita articulação com o exercício dos poderes que a Lei Fundamental atribui ao Presidente da República.»
 
Afastados que estão os constrangimentos do passado, decidiu-se Sua Excelência pela convocação de Conselho de Estado com a inovadora agenda dos «desafios do futuro».
por SF às 20:34
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Minuciosa formiga

Aparentemente, o jovem eurodeputado Rangel ainda não dispõe de viatura própria a precisar de fazer rodagem. Desloca-se para o congresso do PSD à boleia de Durão Barroso. Citemos O' Neill, como se impõe:  

 

Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:
leva a sua palhinha
asinha, asinha.

 

 

Adenda:

Entretanto, e por falar em vigor, foi em tom particularmente vigoroso que o eurodeputado social-democrata desmentiu a manchete do Sol, classificando-a de «pura intriga, baseada em factos falsos». Ao que tudo indica, não terá sido Barroso quem convenceu Paulo Rangel a avançar

por SF às 01:08
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Da República

Leio aqui que o Mestre João Cutileiro acha chegada a altura de «mudar o busto da República»...

Vinda de quem vem, temo bem que a proposta passe pela substituição do mimoso busto da República por um novo e vigoroso bastos da República. E, verdade seja dita, há momentos em que um pouco mais de pujança não faria mal algum à nossa República.

por SF às 00:09
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Vem aí outra verdade inconveniente?

Sabe-se agora que a pandemia sensação deste Inverno teve afinal a sua origem nos soturnos armazéns subterrâneos da indústria farmacêutica, onde uma quantidade incalculável de excipientes se aproximava do fim da validade, ameaçando perigosamente os custos do exercício associados às quebras.

Não passa, pois, de areia que nos atiram para os olhos (quiçá na tentativa de despacharem, já agora, uns quantos colírios) a teoria segundo a qual o aparente desvio negativo, face às expectativas iniciais, da curva de progressão da infecção pelo H1N1, se fica a dever a um correcto planeamento e atempada implementação das medidas de prevenção por parte dos governos e Organizações Internacionais. Até porque, ao tomarmos como verdadeira esta mesma teoria, tal obrigaria a que se convocasse para o sucesso das acções de prevenção também as consciências cívicas individuais, o que, como bem sabemos, representa uma contradição nos termos.

Pena é que a denúncia desta constipação, digo, conspiração global não tenha acontecido a tempo de evitarmos um logro à escala planetária.

O que nos traz à memória, ainda que de raspão, aqueloutros não menos reputadíssimos especialistas, desta feita da ciência económica, que hoje asseguram a inevitabilidade da actual crise internacional, muito embora não a tenham previsto há um ano atrás...

por SF às 00:09
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Domingo, 24 de Janeiro de 2010

Ena, tantos!

Jogo de Espelhos

 

Não será necessário ser-se um «escravo da comunicação» para perceber que a fotografia de primeira página que ilustra a entrevista de Passos Coelho ao Expresso se oferece às mais variadas interpretações...

por SF às 23:04
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Por estes dias

O principal erro do Partido Socialista não é o de abrir uma extemporânea - dizem, tenho dúvidas - discussão política sobre as próximas eleições presidenciais. O principal erro do Partido Socialista é o de se deixar envolver numa discussão sobre a candidatura de Manuel Alegre. Coisa bem diferente.

por SF às 19:08
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Coisa bem diferente de ser um 'Ferreirista', entenda-se

«E depois sou um 'Ferrarista' - tenho tudo o que são Ferraris»

Aguiar Branco, na página 2 do Sol

por SF às 14:31
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Alto Relevo

por SF às 13:50
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Disponibilidades (3 notas soltas)

[1] Há quatro anos Manuel Alegre saltou para a corrida das presidenciais já na recta final. A sua decisão surgiu em resultado de uma pulsão incontida, um grito de revolta contra os directórios partidários em geral e do PS em particular.

Hoje, Manuel Alegre é o primeiro a ir a jogo,  a um ano de distância do acto eleitoral. A disponibilidade anunciada surge agora como um acto longamente reflectido e cautelosamente calculado. Ao entusiástico apoio da malta do Bloco, somar-se-ão os apoios do PS, incontornável, e do PCP, inevitável. Mudam-se os pressupostos, manter-se-ão as vontades?

 

[2] Cavaco Silva terá sido quem primeiro percebeu a iminência da decisão de Alegre. Entre a Mensagem de Ano Novo e cerimónia de apresentação de cumprimentos por parte do Corpo Diplomático acreditado em Portugal, bastou a entrevista de Alegre ao Expresso para que Sua Excelência revelasse disponibilidade para antever no horizonte «a retoma que se anuncia» ou «os primeiros sinais de crescimento». Se é certo que é a última a morrer, a esperança, ainda que ténue e fugaz,  foi também a primeira a renascer no discurso de Sua Excelência.

 

[3] Por fim, quer o PCP, quer Sua Excelência manifestaram indisponibilidade para comentar a decisão de Alegre, fazendo uso do mesmo argumento: a necessidade de concentrar as atenções nos graves problemas do país. Uma assinalável convergência estratégica.

por SF às 18:09
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

A boa e a má Comenda

Pedro Miguel de Santana Lopes será terça-feira agraciado por Sua Excelência com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, «por destacados serviços prestados ao País no exercício das funções» de Primeiro-ministro, distinção que passará a partilhar com todos os seus antecessores no cargo.

A coisa vale o que vale, pouco mais que nada. Trata-se, no fundo, de um mero procedimento protocolar, uma espécie de automatismo administrativo, o que verdadeiramente contribui para uma objectiva depreciação do valor facial da Comenda, independentemente do garboso peito em que a mesma seja aposta.

Registe-se, para a estória, a ironia do cerimonial e do momento escolhido, e deseje-se aos intervenientes a melhor sorte para o exercício de cinismo e hipocrisia que amanhã levarão ao palco.

por SF às 15:39
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Não sei, pode ser que resulte. A verdade é que já estou por tudo...

 


Pára, pára, chuvinha
Fica no céu deixa a terra
Pára, Pára, chuvinha
Não caias na nossa serra

Pára, pára, chuvinha
Fica no céu, fica lá
Pára, Pára, chuvinha

Textos:
por SF às 03:33
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Elementar, meu caro leitor

«Não deixa de ser uma ironia sair quando vai haver mais matéria para comentar, como a votação do OE, as eleições presidenciais e a discussão da liderança do PSD»

Marcelo ao Jornal i

 

Se é verdade que todos os anos temos a votação do Orçamento, e que os Congressos do PSD ameaçam rivalizar, na regularidade, com a discussão das contas do Estado, isso não deve fazer-nos desviar do essencial: este ano haverá OE e Congresso do PSD, e Marcelo não estará lá para comentar.

A pretexto de um argumento de carácter meramente administrativo - o fim do contrato -, assistimos a mais uma operação de silenciamento de uma voz independente e descomprometida, um processo no qual as gordurosas dedadas de Sócrates surgem repugnantemente espalhadas por todo o lado. 

E, podendo - e Sócrates tudo pode, importa não esquecer -, porque não foi Marcelo dispensado no ano que agora findou e no qual se se realizaram eleições europeias, autárquicas e legislativas?, será o estimado leitor levado a perguntar, com evidente ingenuidadeA resposta surge óbvia: mas isso teria interessado a quem?

por SF às 16:11
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

De Belém à S. Caetano são três meses de caminho (?)

A propósito desta intrigante audiência e do comício  que se seguiu, pode ser que João Salgueiro se tenha deslocado a Belém para, na pessoa do Presidente de Todos os Portugueses, agradecer o relevante e decisivo esforço nacional que no último ano permitiu uma apoio sem precedentes, numa conjuntura também ela sem precedentes, à Banca nacional, com óbvias implicações na actual situação económica e financeira do país. Pode. Ou talvez não...

Pode, então, que esta teoria  tenha pernas para andar, que é como quem diz: a rodagem para fazer. Se assim for, não podemos deixar de sublinhar a imensa ironia de ver a candidatura de João Salgueiro à liderança do PSD ser lançada com o alto patrocínio, justamente, daquele que o derrotou no XII Congresso dos social-democratas, fará no próximo dia 19 de Maio, exactamente, 25 anos.

por SF às 18:36
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A partir daqui é sempre a somar

Na última edição d'O Eixo do Mal, Daniel Oliveira, moderado entusiasta da candidatura de Manuel Alegre, referiu a páginas tantas (cito de memória) que a virtuosa candidatura presidencial de Alegre é a única capaz de federar os votos de todos aqueles que não gostam de Cavaco e, ou, de José Sócrates.

Ora, interpretando, abusivamente, é certo, os resultados das legislativas de há quatro meses, excluídos os eleitores que não gostam de Sócrates e votaram PSD e CDS - presumindo-se que, sobretudo no caso do PSD, tendo votado na discípula mais facilmente votarão no mestre -, e os eleitores que, não gostando de Cavaco, votaram em Sócrates, esse crápula, para Primeiro-ministro, a fantástica dinâmica agregadora da candidatura de Manuel Alegre exclui, à partida, mais de 75% dos eleitores das últimas legislativas.

por SF às 14:40
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

E assim lá vamos nós, alegremente, cantando e rindo, ou um post com muitos links e um título grande para caraças

Depois do tiro de partida dado por Louçã, no passado dia 18 de Dezembro, hoje foi a vez de um desconhecido que Alegre nunca viu antes, num impulso de incontido entusiasmo, ter criado uma página de apoio no Facebook e aberto uma conta no Twitter. E tudo isto no mesmo dia em que um velho conhecido das cantigas, Paulo de Carvalho, terá escrito, composto, gravado e disponibilizado na internet uma canção - bem conseguida, por sinal - apresentada como hino de campanha (via venerando Barbeiro, com quem, de resto, já fui feliz no 13-A da rua Dr. José Batista de Sousa ;).

E é assim que, depois de há quatro anos ter gerado dois candidatos presidenciais, o Partido Socialista está agora na contigência de vir a apoiar o candidato da malta do Bloco...

por SF às 00:27
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Cambada de irresponsáveis!

Pese embora a pose austera e a atitude contida, sabemos hoje que Sua Excelência não é homem para, em privado - ou, vá lá, em privado com um ou outro jornalista - poupar nos estados de alma. Basta recordar a veiculada «consternação» quando vieram a lume as primeiras suspeitas de espionagem a mando do governo, ou a difundida «estupefacção» ao tomar conhecimento da não recondução do seu ex-mandatário para o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

Imagino, pois, o que por esta hora deve estar Sua Excelência a sentir, depois de saber que para cima de noventa mil seus concidadãos pretendem a convocação de um referendo sobre a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aparentemente borrifando-se para o desemprego, o endividamento do País, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade.

por SF às 00:09
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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Diz-me que método propões, dir-te-ei que candidato és

Em Outubro do ano passado, logo após a derrota nas eleições legislativas, o PSD resistiu, com insuspeita maturidade política, à tentação de ir a correr  substituir a da Dra. Manuela. Que não fazia sentido ter o partido embrenhado numa disputa sobre a liderança enquanto no Parlamento se procedia à importante discussão do orçamento de estado para 2010, foi o argumento consensualmente tolerado.

E é assim que, liberto de uma sempre envolvente e desgastante refrega em torno da liderança partidária, o PSD pode agora compaginar, com indisfarçável tranquilidade, o debate do orçamento de estado com a discussão sobre o método de eleição da nova liderança. Ou um congresso para escolher Santana Lopes, ou directas para eleger Passos Coelho, ou, ainda, um conclave para aclamar Marcelo.

 

Adenda:

Entretanto, surgem notícias de que Aguiar Branco estará a ser pression... Não, esperem! Aceitou! Entretanto, dizíamos, surgem notícias de que Aguiar Branco, depois de longamente pressionado, aceitou ser candidato à liderança do PSD. Desconhece-se, porém, qual o método electivo associado à sua candidatura...

por SF às 12:42
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Domingo, 3 de Janeiro de 2010

Something's missing

Ainda relativamente à mensagem de Sua Excelência, são objectivos os indicadores a que deitou mão, e coerente o cenário prospectivo que a partir deles traça. Outros poderão ser construídos, é certo, como de resto é próprio dos exercícios de análise prospectiva.

Mas devo confessar que o que verdadeiramente me impressionou, foi o facto de Sua Excelência, aparentemente, ter ignorado que a actual situação económica do país é em grande medida, consequência directa da grave crise económica e financeira internacional e das medidas tomadas pelo governo para atenuar os seus efeitos junto das famílias e dos agentes económicos. Ao longo da sua prolongada intervenção nem uma palavra sobre essa situação, a todos os títulos, excepcional.

por SF às 13:32
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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Ouçamos, pois

Depois de irremediavelmente perdida a virgindade com o 'caso das escutas', com a campanha de Alegre a subir de tom e o PSD concentrado em derrotar Passos Coelho, mais do que em constituir-se como alternativa, Sua Excelência surge neste arranque de 2010 entalado entre um parlamento que, em resultado do recente refrescamento da legitimidade eleitoral, parece ter assistido à transferência da arrogância tantas vezes criticada ao anterior governo, para o discurso e iniciativas da oposição, e o sprint final para sua reeleição.

O actual cenário político abre espaço a uma maior intervenção de Sua Excelência, é verdade. Mas não será menos verdade que uma maior intervenção expõe, inevitavelmente, Sua Excelência a uma maior dose de crítica e eventual contestação.

Neste contexto, a mensagem que dentro de minutos irá dirigir aos portugueses, surge como oportunidade para um reposicionamento estratégico face ao novo cenário político e às suas próprias ambições eleitorais que se avistam no horizonte próximo.

por SF às 19:44
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