Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Uma girafa numa loja de porcelana II

Os quarenta longos dias que passaram desde a notícia do Público sobre a suspeita de vigilância a membros da Casa Civil do Presidente da República, por entre declarações de sinal contraditório, silêncios enigmáticos, demissões - ou afastamentos - ao retardador, revelaram-nos o velho Aníbal Cavaco Silva que alguns pareciam já ter esquecido. Um político que apenas está confortável quando domina o jogo, quando é ele que dá as cartas.

Se os acontecimentos, por qualquer razão, fogem do seu controlo, é o desastre. A autoridade cede à insegurança e a tibieza toma o lugar da determinação.

Desde o dia 18 de Agosto, o comportamento de Cavaco Silva tem sido pouco diferente do de uma girafa numa loja de porcelana. Cavaco Silva perdeu o pé e é senti-lo a esbracejar, tentando por tudo manter-se à tona da água. Por detrás da sua pose seráfica, com que pretende criar a ilusão de que é ele, ainda, o dono jogo, está um homem profundamente desorientado e, imagino, angustiado.

Num momento particularmente feliz, quando, no P&C de ontem, convidado por Fátima Campos Ferreira a avançar com uma hipótese para o teor da comunicação desta noite, Carlos Abreu Amorim respondeu de forma lapidar: «nem o Senhor Presidente sabe o que vai dizer».

Há mais de um mês que Cavaco Silva caminha, por sua única e exclusiva responsabilidade, para um beco sem saída. Hoje, é um homem encurralado e não sabe como há-de sair desta.

Esta noite, ou quando decidir falar sobre a polémica, Cavaco não tem mais a que se agarrar do que à ideia da Suspeita. De resto, em linha com a argumentação de José Manuel Fernandes.

Dirá Cavaco que, tratando-se do órgão máximo de soberania da nossa República, não pode qualquer Suspeita, por mais leve e inverosímil que pareça, ser tratada com displicência. Seria uma irresponsabilidade. Dirá Cavaco que a saúde da nossa democracia e a solidez do nosso regime não são compatíveis com a existência de dúvidas, situações mal esclarecidas, Suspeitas. Dirá Cavaco que não pode permitir, ainda que por omissão, que se instale o vírus da suspeição, e correr o risco de vê-lo corroer o normal funcionamento das instituições democráticas. Concluirá Cavaco dizendo não ter sido esse o compromisso que assumiu com os portugueses, não ser essa a atitude que os portugueses dele esperam. Suspeito, logo averiguo, dirá Cavaco. Isto ou outra merda qualquer. A ouvir vamos.

por SF às 18:18
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